A possível transição de La Niña para El Niño no segundo semestre de 2026 já começa a influenciar o planejamento agrícola no Brasil. Modelos climáticos apontam aquecimento gradual das águas do Pacífico a partir de agosto, sinalizando uma mudança de padrão que pode impactar diretamente o regime de chuvas e temperaturas durante o ciclo da safra 2026/27. 

Esse cenário exige atenção redobrada do produtor, especialmente porque decisões estratégicas, como escolha de cultivares, janela de plantio e manejo nutricional, começam a ser definidas nas próximas semanas. O risco climático deixa de ser uma hipótese distante e passa a ser um fator concreto na gestão da próxima safra. 

Safrinha no centro das preocupações 

milho safrinha, responsável por mais de 70% da produção nacional, segue como o principal ponto de atenção. Nos últimos ciclos, atrasos no plantio e exposição a períodos de déficit hídrico já comprometeram o potencial produtivo em diversas regiões. 

Com a possível chegada do El Niño, o comportamento climático tende a se inverter em algumas áreas, com excesso de chuvas no Sul e irregularidade hídrica no Centro-Oeste e Sudeste, justamente onde se concentra grande parte da segunda safra de milho. 

Esse contexto reforça a importância de estratégias mais robustas de manejo, que consigam reduzir riscos e preservar produtividade, mesmo diante de condições mais desafiadoras. 

O protagonismo do manejo técnico neste contexto 

Diante de um cenário climático mais difícil, o manejo agronômico passa a ser decisivo. Uma combinação de nutrição equilibrada com proteção fitossanitária pode ser o diferencial entre uma safra comprometida e um resultado satisfatório. 

Entre os principais pontos de atenção, destacam-se: 

  • Ajuste da janela de plantio para reduzir exposição ao estresse hídrico. 
  • Fortalecimento do manejo nutricional, com foco em plantas mais tolerantes a adversidades. 
  • Uso estratégico de fungicidas foliares, especialmente para controle de doenças como mancha de bipolaris e ferrugens. 
  • Monitoramento constante da lavoura, permitindo respostas rápidas a mudanças climáticas 

Essas práticas não eliminam o risco climático, mas podem aumentar consideravelmente a resiliência da lavoura. 

Do clima ao mercado: impactos que vão além da lavoura 

Além dos desafios agronômicos, a transição para El Niño também pode influenciar o mercado de grãos. Oscilações na produção brasileira tendem a impactar preços, logística e competitividade no cenário internacional. 

Uma eventual quebra de produtividade pode reduzir a oferta e sustentar preços, mas também eleva os custos por hectare, pressionando as margens do produtor.  

Planejamento antecipado é chave para mitigar riscos 

O momento atual é estratégico: mesmo antes da consolidação do novo padrão climático, o produtor que se antecipa ganha vantagem diante da concorrência. Ele pode, por exemplo, avaliar cenários, investir em tecnologia e adotar um manejo mais técnico para poder enfrentar a volatilidade com mais segurança. 

A transição entre fenômenos climáticos não é novidade, mas seus efeitos têm se tornado cada vez mais intensos e imprevisíveis. Nesse contexto, é altamente necessário contar com informação de qualidade e decisões bem embasadas em dados para promover uma sustentabilidade do negócio agrícola. 

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